Atama-Yama

31/03/2011

“Atama-Yama” é um curta-metragem japonês de animação de Koji Yamamura. O filme foi indicado ao Oscar na categoria “Melhor curta-metragem de animação” em 2003, mas perdeu para o medíocre “The ChubbChubbs!“, da Sony Pictures Imageworks (Estados Unidos). Apesar disso, foi eleito melhor curta-metragem no festival de Annecy (França) de 2003 e premiado nos festivais de Zagreb (Croácia) em 2004, Leipzig (Alemanha) em 2003, Hiroshima (Japão) em 2004, além de diversos outros festivais.

“Atama-Yama” conta a história de um homem sovina que a cada dia acumula mais lixo em sua casa (pode-se deduzir que ele sofra de disposofobia). Ele guarda tudo o que considera ainda utilizável. Sua frase preferida é “Que desperdício!”. Certo dia, o homem coleta algumas cerejas caídas na calçada e as leva para casa. Enquanto as saboreia, pensa que é um desperdício jogar os caroços fora, e os come também. Isso faz com que uma cerejeira comece a crescer no topo de sua cabeça, o que o leva a experimentar uma série de situações surreais.

Uma curiosidade a respeito de “Atama-Yama” é que Koji Yamamura fez o character design, produziu os cenários, animou e dirigiu o filme praticamente sozinho, contando apenas com uma pequena equipe. Um feito impressionante, considerando-se a excelência do resultado final.

É interessante notar também que o curta-metragem é narrado como um “nagauta“, um tipo de acompanhamento musical japonês utilizado no teatro “kabuki“, em que cantores narram a história enquanto o “shamisen“, tradicional instrumento musical de três cordas, é tocado.

Atama-Yama possui um dos finais mais surpreendentes em filmes de animação. A forma como foi representada a imersão do personagem em si mesmo e sua consequente morte é realmente impressionante.

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Hedgehog in the Fog

10/07/2010

Hedgehog in the Fog” é uma animação soviética de 1975 dirigida por Yuri Norstein e produzida pelo estúdio Soyuzmultfilm, em Moscou.  Produzido com a técnica de animação “cut-out“, ganhou o primeiro lugar na premiação “All time animation best 150 in Japan and Worldwide” (Tokyo, 2003).

“Hedgehog in the Fog” conta a história de um pequeno porco-espinho que costuma visitar seu amigo urso para beber chá, conversar e contar as estrelas. Desta vez o porco-espinho está levando algo especial para a ocasião: um pote de geléia de framboesa. No  meio do caminho, ele se depara com um cavalo parado no meio de um nevoeiro. A névoa é tão densa que o porco-espinho pondera se o cavalo poderia se sufocar caso se deitasse e ficasse completamente imerso nela. Tomado de curiosidade, o porco-espinho penetra dentro do nevoeiro (e de um outro mundo). Ele se perde, e se depara com medo, solidão, hostilidade, e eventualmente, redenção.

A animação, embora teoricamente feita para crianças, é de difícil compreensão mesmo para adultos. A história sugere vários níveis de interpretação. O nevoeiro onipresente e opressivo, a atmosfera onírica, o bem e o mal manifestando-se de diversas formas, a morte, e mesmo questões filosóficas profundas estão presentes neste singelo curta-metragem de animação.

Por exemplo: em determinado momento o porco-espinho cai nas águas de um riacho. Ele pensa consigo mesmo: “Eu estou no riacho. Vou deixar as águas me levarem”. O pequeno porco-espinho então suspira profundamente e começa a ser carregado pela correnteza. Ele imagina que logo ficará ensopado e irá submergir, afogando-se. Nesse momento de estóica entrega e submissão, “algo” pergunta ao porco-espinho duas questões que afligem a humanidade desde tempos imemoriais: quem ele é e como veio parar ali. O porco-espinho responde ingenuamente: “Eu sou um porco-espinho. Eu caí no rio”. A criatura então propõe levar o pequeno porco-espinho para a margem do rio.

O videoclipe da música “Human Behaviour“, da cantora Björk, foi inspirado livremente na animação “Hedgehog in the Fog” e na história de contos de fadas “Cachinhos dourados“. O clipe possui inclusive uma cena bastante parecida à mencionada acima, em que a cantora, vestida como o porco-espinho da animação, cai em um riacho e flutua ao sabor das águas.

Yuri Norstein – Hedgehog in the Fog no Vimeo.

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História Trágica com Final Feliz

4/07/2010

A animação “História Trágica com Final Feliz“, de Regina Pessoa, conta a história de uma menina “diferente”. Seu coração tem uma batida extremamente alta, a ponto de incomodar as pessoas da comunidade em que mora. O som é tão alto que, incomodadas pelo barulho, pessoas não conseguem dormir e cães começam a ladrar todas as noites. As pessoas respondem com intolerância, e a menina, isolando-se.

Ela tenta se explicar dizendo que possui um coração de passarinho; que o corpo que habita não é o seu — por isso seu coração bate tão rápido. As pessoas respondem com incredulidade, e acreditam que a garotinha não irá durar muito…

Com o passar do tempo, as pessoas acabam se acostumando insensivelmente com o barulho rítmico do coração da menina. Elas chegam até mesmo a ajustar suas atividades diárias de acordo com o compasso do coração: um comerciante com sua caixa registradora, um homem que varre a rua, crianças que brincam com uma bola… todos sincopadamente adaptados às batidas do coração. Entretanto, isso está longe de significar que a menina finalmente está integrada à comunidade em que vive: na verdade as pessoas simplesmente aprenderam a ignorá-la, distanciando-a de seu convívio.

Entretanto, um evento inesperado irá romper essa harmonia forçada.

Não por acaso, o estilo da animação lembra gravuras de serigrafia: a idéia para o curta-metragem surgiu para Regina Pessoa justamente após um exercício dessa técnica na faculdade de Belas Artes.

“História Trágica com Final Feliz” é uma história sensível e poética sobre pessoas que não se ajustam ao mundo em que vivem e a intolerância de que são vítimas.

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The Music Scene

27/06/2010

O videoclipe “The Music Scene”, da banda Blockhead, pode ser considerado sem exagero uma das animações mais criativas do ano. Dirigido e produzido por Anthony Francisco Schepperd, o curta-metragem levou 6 meses para ser concluído. As imagens parecem acompanhar o fluxo de consciência do autor, com animais se metamorfoseando em linhas e grafismos psicodélicos em uma viagem surreal a um mundo dominado por aparelhos de TV onde a humanidade aparentemente foi extinta e só restaram animais nas ruínas de uma cidade destruída.

Mais informações sobre o autor em: http://themanimator.com/

“The Music Scene” de Anthony Francisco Schepperd no Vimeo.

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The Pearce Sisters

20/06/2010

Dirigido por  Luis Cook, diretor de animação da Aardman, “The Pearce Sisters” é, nas palavras de seu próprio criador, “um filme lindamente feio”.

O filme é a antítese das animações até então produzidas pela Aardman (como os filmes de “Wallace e Gromit” e “Creature Comforts“). Ao invés de bonecos bonitinhos de plasticina, a animação, produzida com uma técnica experimental que misturou 2D com 3D, tem um aspecto naïve de algo (mal) desenhado à mão, e explora o que se poderia chamar de “estética da feiúra”.

Originalmente um conto do livro “Ten Sorry Tales“, de Mick Jackson, a animação conta a história das irmãs Lol e Edna Pearce, duas solteironas que vivem uma existência miserável em uma costa austera e longínqua onde venta o tempo inteiro. Elas sobrevivem pescando e defumando peixes, esperando ansiosamente que algum dia um belo homem as liberte de sua terrível solidão. Quando certo dia elas socorrem um marinheiro náufrago de ser tragado pelas águas do mar, suas expectativas parecem ter se tornado realidade. Porém elas irão descobrir que as coisas não serão tão fáceis assim…

Ironicamente, a única fala em todo o curta é “Do you want a cup of tea?”

“The Pearce Sisters” é macabro, estranho, bizarro e maravilhoso.

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Abstraction

19/06/2010

Shintaro Kago é um mangaká (desenhista de mangá) japonês cujos trabalhos tendem para a temática ero-guro. Conteúdo sexual explícito, escatologia e histórias bizarras são constantes em suas obras. Para os fãs do gênero, ele é genial.

Recentemente descobri uma obra de Shintaro Kago que despertou meu interesse. Trata-se de “Abstraction”. Nessa história de 16 páginas, o autor literalmente subverte os limites dos quadrinhos: após uma introdução convencional, o leiaute da página é mostrado em três dimensões, permitindo possibilidades narrativas extremamente originais. Personagens ultrapassam quadros; o corte do desenho de um personagem é interpretado de forma literal, revelando os órgãos internos do mesmo; objetos mesclam-se aos personagens em uma abordagem surrealista etc.

A obra é extremamente original, e merece ser vista mesmo por quem não é fã do gênero mangá.

Download aqui (pdf, em inglês, 2,6 Mb).

P.S.: Como em todo mangá, a leitura dos quadros deve ser feita da direita para a esquerda. Contém linguagem e imagens explícitas.

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Hello world!

6/06/2010

Esta é a primeira postagem de meu blog. Pretendo usar este espaço para falar sobre ilustração, animação, trabalho, cursos etc.

O blog tem como base o WordPress, e utiliza uma versão modificada por mim do excelente template Vostok. O objetivo da modificação do template original foi tornar o blog visualmente coerente com o site de meu portfolio.

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